Conciliação e Mediação de Conflitos: diferenças, quando usar e qual curso escolher
Resposta rápida
A diferença entre conciliação e mediação está no tipo de conflito e na postura do terceiro. Pelo art. 165 do Código de Processo Civil, o conciliador atua preferencialmente quando não há vínculo anterior entre as partes e pode sugerir soluções. O mediador atua preferencialmente quando há vínculo anterior e ajuda as partes a compreender os interesses em conflito e restabelecer a comunicação, para que elas mesmas identifiquem soluções.
Os dois métodos são consensuais, podem acontecer no Judiciário e geram acordos com o mesmo valor jurídico quando homologados. Para entender a conciliação em profundidade, leia o guia completo sobre Conciliação Judicial.
O que é conciliação?
É o método em que um terceiro imparcial ajuda as partes a negociar uma solução para um conflito, em geral pontual. O conciliador organiza a conversa e pode apresentar propostas, sem constranger ou intimidar ninguém. A conciliação é frequente em causas de consumo, cobranças, acidentes e nos Juizados Especiais.
O que é mediação?
A Lei nº 13.140/2015 define mediação como a atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais. O foco está na comunicação e nos interesses, porque as partes geralmente continuarão se relacionando depois do conflito.
Tabela comparativa
| Aspecto | Conciliação | Mediação |
|---|---|---|
| Tipo de conflito | Sem vínculo anterior entre as partes | Com vínculo anterior ou relação continuada |
| Papel do terceiro | Pode sugerir soluções | Ajuda as partes a compreender interesses e construir a solução |
| Duração | Costuma ser mais breve | Pode exigir mais de uma sessão |
| Foco | Acordo sobre a questão objetiva | Comunicação, interesses e relação |
| Exemplos típicos | Consumo, cobranças, indenizações | Família, vizinhança, sociedade empresarial |
| Requisito legal de escolaridade (atuação judicial) | Definido pelos tribunais | Graduação há pelo menos 2 anos (Lei 13.140/2015, art. 11) |
| Base legal principal | Res. CNJ 125/2010 e CPC | Res. CNJ 125/2010, CPC e Lei 13.140/2015 |
Diferença entre mediador e conciliador
Além do tipo de conflito, as funções se diferenciam em três pontos práticos:
- Postura: o conciliador pode ser mais propositivo; o mediador trabalha para que as partes cheguem às próprias soluções.
- Requisitos: o mediador judicial precisa de graduação há pelo menos dois anos e capacitação específica; os requisitos do conciliador são definidos por cada tribunal, além da capacitação exigida pelo CPC.
- Profundidade: a mediação costuma explorar mais a história e a relação entre as partes; a conciliação se concentra na questão a ser resolvida.
Em comum, ambos devem seguir os princípios do art. 166 do CPC e o Código de Ética da Resolução CNJ nº 125/2010.
Conciliação ou mediação: quando usar cada uma?
A pergunta-chave é: as partes vão continuar se relacionando depois do conflito? Se não, a conciliação tende a ser mais eficiente. Se sim, a mediação costuma produzir acordos mais duráveis, porque trata também da forma como as partes se comunicam. Em muitos CEJUSCs, uma triagem inicial ajuda a encaminhar o caso ao método mais adequado.
Exemplos práticos
- Compra de um eletrodoméstico com defeito: conciliação. O consumidor e a loja não têm relação a preservar.
- Batida de carro entre desconhecidos: conciliação, com foco no valor do conserto e na forma de pagamento.
- Pensão e convivência com os filhos: mediação. Os pais continuarão se relacionando por muitos anos.
- Conflito entre sócios: mediação, especialmente se a empresa vai continuar funcionando.
- Barulho entre vizinhos: mediação, porque a convivência continua.
O que conciliação e mediação têm em comum
- São métodos consensuais: a decisão é sempre das partes;
- O terceiro é imparcial e não tem poder de decisão;
- Valem os princípios de confidencialidade, autonomia da vontade e decisão informada;
- Podem ser pré-processuais ou processuais;
- O acordo homologado tem força de título executivo judicial.
Base legal de cada método
A Resolução CNJ nº 125/2010 instituiu a política judiciária de tratamento adequado dos conflitos e organizou CEJUSCs, capacitação e Código de Ética para os dois métodos. O CPC (arts. 165 a 175 e 334) regula conciliadores e mediadores judiciais e a audiência inicial. A Lei nº 13.140/2015 é a lei específica da mediação, judicial e extrajudicial.
Mediador ou conciliador: qual carreira escolher?
São caminhos complementares. A conciliação tem requisitos de entrada que, em muitos tribunais, são mais flexíveis, e um volume grande de sessões, o que ajuda a ganhar experiência. A mediação exige graduação há pelo menos dois anos para a atuação judicial e uma formação voltada a conflitos relacionais. Muitos profissionais começam por um método e depois ampliam a formação. Veja quem pode fazer curso de Conciliação Judicial para entender os requisitos.
Qual curso escolher para começar
Se o seu interesse está em conflitos objetivos, Juizados Especiais e CEJUSCs, a formação em Conciliação Judicial é um bom ponto de partida. Procure uma capacitação alinhada à Resolução CNJ nº 125/2010, com teoria e estágio supervisionado, e que trabalhe na prática as técnicas utilizadas em audiência de conciliação.
Conclusão
Conciliação e mediação não competem: atendem a conflitos diferentes. A conciliação resolve com objetividade questões pontuais; a mediação cuida de conflitos em que a relação importa. Se você quer começar pela conciliação, conheça a formação em Conciliação Judicial da Centromediar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre conciliação e mediação?
A conciliação é indicada preferencialmente quando não há vínculo anterior entre as partes, e o conciliador pode sugerir soluções. A mediação é indicada quando há vínculo anterior, e o mediador ajuda as partes a compreender interesses e restabelecer a comunicação para que elas mesmas construam a solução (CPC, art. 165).
Qual a diferença entre mediador e conciliador?
O conciliador tem postura mais propositiva e atua em conflitos pontuais. O mediador trabalha a comunicação e os interesses em conflitos com relação continuada. Para o mediador judicial, a Lei 13.140/2015 exige graduação há pelo menos dois anos; para o conciliador, os requisitos são definidos pelos tribunais.
Quando usar conciliação ou mediação?
Conciliação para conflitos objetivos e sem relação a preservar, como consumo, cobranças e acidentes. Mediação para conflitos em que as partes continuarão se relacionando, como família, vizinhança e sociedade empresarial.
Conciliação e mediação estão previstas em lei?
Sim. Ambas estão no Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) e na Resolução CNJ nº 125/2010. A mediação tem ainda uma lei própria, a Lei 13.140/2015.
O acordo feito em mediação ou conciliação tem o mesmo valor?
Sim. Quando realizado no Judiciário e homologado pelo juiz, o acordo vale como título executivo judicial nos dois casos.
Um conciliador pode atuar como mediador?
Não automaticamente. Cada função exige capacitação específica e cumprimento dos requisitos legais e do tribunal. Muitos profissionais se formam nas duas áreas.
Qual curso fazer primeiro: conciliação ou mediação?
Depende do objetivo e dos requisitos que você já cumpre. A conciliação costuma ter requisitos de entrada mais flexíveis e foco em conflitos objetivos; a mediação judicial exige graduação há pelo menos dois anos e trabalha conflitos relacionais.
Fontes oficiais consultadas
- Código de Processo Civil — Lei nº 13.105/2015 (Planalto)
- Lei de Mediação — Lei nº 13.140/2015 (Planalto)
- Resolução CNJ nº 125/2010 — Conselho Nacional de Justiça
Requisitos de cadastro e atuação podem variar entre tribunais e mudar com o tempo. Confirme sempre no tribunal em que pretende atuar.
Leituras relacionadas
- O que é Conciliação Judicial e como funciona na práticaGuia central: conceito, funcionamento, papel do conciliador, CEJUSCs, Resolução CNJ nº 125/2010 e o que diz o CPC.
- Audiência de Conciliação: técnicas, postura e construção de acordosComo a audiência acontece, o papel de cada participante e as técnicas usadas pelo conciliador.
- Quem pode fazer curso de Conciliação Judicial e atuar como conciliador?Quem pode estudar conciliação e o que diferencia os requisitos do curso, da certificação e da atuação.
Conheça o Curso de Conciliação Judicial da Centromediar
Prepare-se para atuar com mais técnica, segurança e responsabilidade em audiências de Conciliação Judicial.